6 de outubro de 2015

#66 RESENHA DE LIVRO (Mulheres Que Não Sabem Chorar)

Hello guys! (Preciso confessar: meu inglês é péssimo e tive que ir no google tradutor para saber como se escreve essas duas pequenas palavras. Me aceitem!). Bom, hoje eu trago para vocês a segunda obra  da autora Lilian Farias, autora de ''O céu é logo ali', que foi recentemente resenhada aqui no blog. Acho que é a maior resenha que fiz até agora, realmente espero que gostem e leiam com atenção, pois trata-se de dois temas sérios e que fazem parte da nossa sociedade. Boa leitura. GO!


 TÍTULO: Mulheres que não sabem chorar 
PÁGINAS: 168 
AUTORA: Lilian Farias
EDITORA: Literata


Sinopse: Mulheres que não sabem chorar conta a história de duas pessoas que se reconhecem como mulheres e que se amam em toda a sua plenitude. Desse amor renascem sentimentos que outrora fora reprimidos: dores, curas e anseios sobre o próprio amar e ser amada. Duas mulheres que precisam quebrar o pior e mais severo dos preconceitos: aquele que habita em nossas entranhas. 
Mais que uma relação homoafetiva! Mulheres que não sabem chorar nasceu dos meus 40 dias no deserto, durante todas as privações e isolamentos sociais. O deserto me ensinou a recolher e emanar todas as minhas ancestrais para me dar vida própria e encarar o mundo, depois soprei nas palavras da vida, que pulsava nas minhas veias, a força de Ísis. 

Resenha: ''Mulheres que não sabem chorar'' aborda uma temática um pouco diferente, mas nada absurdo e que não seja de nosso conhecimento, trata-se de uma relação homoafetiva. Lilian Farias, diferente de sua obra anterior, apresenta diálogos menos poéticos e mais objetivos, o que me agradou bastante. O livro tem como personagens principais Olga e Marisa, duas mulheres completamente diferentes mas que assemelham-se por sua força. 
Marisa está no auge de seus 55 anos. Bem sucedida, viúva, tem dois filhos e sua exigência para que tirem boas notas e sejam estudiosos ás vezes limita demonstrações de carinho, tanto dela quanto dos filhos. É uma mulher forte porém sente prazer em ver sua vizinha sofrer humilhações. 
Olga é essa vizinha. Cinco anos mais nova que Marisa, ela aparenta ter o dobro de Marisa devido ao seu vício com o álcool. Era casada, porém seu marido a abandonou por não aguentar o desleixo da esposa com ele, a filha e com a própria vida, Uma mulher frágil, maltratada pela vida e como o livro a descreve ''uma dócil viciada''. 
''É muito mais fácil conseguir um gole que ficar sem nada, tudo conspira a favor do álcool: tudo conspirava contra mim.'' 

Ambas possuem histórias complexas e sofridas, mas enquanto uma usou os problemas da vida para ''amadurecer'' a outra mergulhou de corpo e alma em um oceano profundo de lamentações, usando a bebida como uma forma de fuga da realidade (cara, isso foi profundo. Vou anotar!). Duas vizinhas nem um pouco amigáveis. Quando seus caminhos se cruzavam sempre acabavam em discussões e Marisa, fria do jeito que era, fazia questão  de deixar bem claro o quanto a odiava. Certa noite, Marisa ouve gritos perto de sua janela  e decide ver do que se trata. Jamais imaginou que um dia acabaria salvando Olga, muito menos que a levaria para dentro de sua casa. Uma amizade vai surgindo e antes que qualquer uma das duas pudesse contestar, o amor já havia plantado sua semente. 
Esse amor vai crescendo e junto a ele um novo olhar sobre as escolhas erradas que fizeram e as impuseram. Nós sabemos que, por mais que alguns livros, filmes e etc acabem em finais felizes, a realidade é totalmente diferente. Uma pessoa que está á procura do amor não sai por ai beijando sapos, ela faz simpatia, entra no bate-papo uol, manda 1234 para ''Rafael+ Ana'' e por ai vai. Como eu sei disso? Li em um livro. Claro que não é por experiencia própria, óbvio (COF COF). Mas isso é a realidade de muitas pessoas. É o que nos faz ser humanos. 
Esta obra nos bota de frente e sem lenga-lenga com relatos verídicos de mulheres que foram violentadas durantes anos de suas vidas, ao ponto de nos deixar chocadas em determinados momentos. No caso de Olga, ela achava que os abusos que sofria eram uma forma de castigo pelas burradas que havia feito. 
''Ela dizia tudo aquilo como se tudo fosse nada e o nada fosse tudo. Realmente acreditava que era normal, que merecia ser castigada e, por mais que eu retrucasse, ela insistia na ideia de que merecia ser castigada e que era normal. Suas palavras eram um punhal entrando na minha garganta, doía ouvir. ''

Bom, mas assim como tiveram coisas que me agradaram, outras me desapontaram. Por mais que o amor de Olga e Marisa fosse descrito de forma avassaladora, não consegui sentir 1% desse amor. O envolvimento das duas personagens aconteceu de forma muito rápida e vaga. Uma hora elas se odiavam e na outra já estavam na cama. Esse envolvimento deveria ter sido um pouco mais elaborado e desenvolvido, de forma que o leitor pensasse (independente da opção sexual) ''Também quero alguém que me ame desta forma'' ou ''Eu tenho um amor assim'', enfim, que despertasse um sentimento de carinho pela trama e não apenas de espanto por conta dos relatos. Confesso que o final me deixou um pouco confusa e indignada de certa forma, mas consegui compreender o porquê. Ainda não estava muito segura em fazer a resenha e decidi tomar um banho e ''encher a pança'' para poder começar a desenvolve-la. Gostei da história, da narrativa, dos diálogos mas deixou um pouco a desejar. É um livro que aborda um amor homoafetivo, descoberto em uma idade um pouco além do que estamos acostumados a ver, picante em algumas cenas, mas sobretudo: a violência contra a mulher. Não deixo de recomenda-lo, afinal experimentar gêneros literários diferentes também é uma forma de aventura e nunca é demais obter conhecimentos sobre algo tão constante entre nós, mas ao mesmo tempo tão distante de nossos pensamentos. 

Leitores, é isso. Dessa vez eu soube me expressar melhor, não é mesmo?! Acho que descobri o segredo: preciso estar alimentada antes de qualquer resenha! Mas e ai, alguém já leu ou ficou com vontade de ler esse livro?! Vejo vocês nos comentários! 






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